Segundo as investigações, cerca de 700 suspeitos foram identificados em todo o mundo
A investigação começou com a descoberta
de que um homem britânico coordenava o abuso, por webcams, de cinco
crianças de uma mesma família filipina. Ele foi condenado a oito anos de
prisão.
As autoridades afirmam que webcams são
usadas com cada vez mais frequência para transmitir, ao vivo, abusos
sexuais, sobretudo em países em desenvolvimento.
Segundo ONGs, dezenas de milhares de crianças mundialmente podem ser vítimas de esquemas parecidos.
Favela filipina
A BBC viajou a Cebu, no sul das Filipinas, onde está um dos braços da operação.
Na favela de Ibabao, nos arredores da
cidade, o policial Denis Comunay mostrou à reportagem um pequeno
barraco, totalmente vazio salvo por um colchão sujo no chão e soquetes
de lâmpadas no teto.
“Pais e mães traziam seus filhos aqui
para mostrá-los e recebiam dinheiro do dono da casa”, diz o
policial. Depois, segundo ele, o dono forçava crianças a “exibir-se” a
estrangeiros, que assistiam a tudo via webcam.
Outras casas na região também eram usadas para a mesma finalidade.
‘Indústria’
Noemi Truya-Abarientos, da agência
governamental que provê assistência judicial a vítimas de abusos, diz
que esse tipo de crime “se tornou uma indústria”.
Pais usam chats na internet para encontrar clientes e recebem pagamento via transferência internacional.
A justificativa usada pelos pais, diz
ela, é de que os pedófilos estrangeiros não chegam a abusar fiscamente
ou encostar em seus filhos. Mas isso é um mito.
“O cliente dá instruções para a criança se tocar e até lhe envia brinquedos sexuais”, agrega Abarientos.
O padre Shay Cullen, responsável pela
fundação Preda, que resgata vítimas de abusos, relata que “mais e mais
pais estão envolvendo suas crianças nisso, para ganhar dinheiro”. ”Há
uma grande demanda e uma oferta crescente”, afirma.
O governo filipino estima que entre 60
mil e 100 mil crianças do país sejam vítimas de exploração sexual,
muitas delas via internet.
‘Trabalho maligno’
A menina Lani, que diz que foi forçada a praticar sexo cibernético quando tinha 15 anos, relata que “era um trabalho maligno”.
Sua tia havia dito a ela que seria
contratada como babá. Mas, quando Lani chegou ao endereço indicado pela
parente, recebeu a instrução de “conversar” com estrangeiros.
A “conversa” logo se converteu em
exigências para que ela tirasse suas roupas e se exibisse para os homens
que a assistiam na webcam.
“Quando ouvem falar de sexo cibernético,
as pessoas pensam que não há efeitos físicos”, diz Lani. “Mas isso te
afeta no âmago. Tira sua dignidade e sua pureza”.
Deixe o seu comentário no Verdade Gospel.
Fonte: BBC Brasil